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Caminhar ajuda a dor nas costas a não voltar?

Por Matheus Camargo, fisioterapeuta · · Leitura de 6 min

A crise passou. A dor nas costas foi embora. E agora fica o medo de ela voltar. Muita gente se pergunta se uma caminhada no fim da tarde, ou ir a pé à feira, ajuda ou atrapalha.

Dois estudos recentes trazem respostas sobre caminhada e dor lombar. Um é um ensaio clínico. O outro acompanhou milhares de pessoas por alguns anos. Este texto explica o que cada um mostrou e quanto se pode confiar neles.

Por que a pergunta é sobre a dor voltar

A dor lombar costuma voltar depois de uma crise. Isso se chama recorrência. O que os estudos mostram sobre isso está em Por que a dor nas costas volta? O que prevê a recaída.

Por isso, evitar que a dor volte é uma pergunta importante. E é diferente de evitar a primeira crise.

O ensaio WalkBack

Um ensaio clínico feito na Austrália e publicado em 2024 testou uma caminhada progressiva, ou seja, que aumenta aos poucos, junto com educação. Ensaio clínico é um estudo que testa uma intervenção comparando grupos. Educação, aqui, quer dizer conversas sobre como a dor e a coluna funcionam.

O ensaio se chama WalkBack. Ele incluiu 701 pessoas, e o objetivo era evitar a volta da dor lombar. A caminhada era individualizada, ou seja, ajustada para cada pessoa.

O que o ensaio encontrou

A caminhada progressiva com educação reduziu a recorrência da dor lombar: HR 0,72.

HR é um número que compara o risco ao longo do tempo entre dois grupos. HR 1 quer dizer "sem diferença". Abaixo de 1, o risco foi menor no grupo que caminhou.

No meio do grupo (mediana), a dor levou 208 dias para voltar com a caminhada e 112 dias no grupo sem tratamento. Ou seja, no grupo da caminhada, a dor demorou mais para voltar. O grupo da caminhada teve mais queixas nas pernas (100 contra 54 eventos).

Quanto se pode confiar

Para os autores do livro, a certeza é moderada. É um ensaio, um só. Um resultado confirmado por vários ensaios daria mais segurança.

A coorte norueguesa: caminhar mais, menos dor crônica

O segundo estudo é de outro tipo. É uma coorte, ou seja, um estudo que acompanha um grupo de pessoas ao longo do tempo, sem dar a elas um tratamento.

Foram 11.194 adultos na Noruega. A caminhada foi medida por acelerômetro, um pequeno aparelho que mede o movimento. Isso é importante: a medida vem do aparelho, e não só do que as pessoas contam.

O resultado: quem caminhava mais teve menos dor lombar crônica em cerca de 4 anos. Dor crônica, nesse estudo, é a dor que dura 3 meses ou mais.

Associação, não causa

Aqui vale um cuidado. Uma coorte mostra associação, e não causa. Ou seja, as duas coisas apareceram juntas, mas o estudo não prova que caminhar evitou a dor.

Pode haver outras explicações. Por exemplo, quem caminha mais pode ter outros hábitos diferentes, ou já sentir menos dor no começo.

O livro A coluna sob carga cita esse estudo como um avanço. Antes, faltavam estudos que medissem o movimento por aparelho, e não só pelo que as pessoas contavam.

O que o livro conclui sobre a caminhada

O livro junta os dois estudos numa mensagem simples, com certezas diferentes:

  • o ensaio WalkBack mostra que caminhada progressiva com educação reduziu a recorrência, com certeza moderada;
  • a coorte norueguesa mostra uma associação entre caminhar mais e ter menos dor lombar crônica.

Na tabela do que fazer por nível de ação, o livro coloca para cada pessoa a atividade física regular e progressiva, incluindo a caminhada. E variar a posição ao longo do dia.

A caminhada entre outras formas de prevenir

A caminhada não é a única opção estudada. O exercício combinado com educação reduziu o risco de uma crise de dor lombar, com certeza moderada. O que ajuda e o que não ajuda a prevenir está em O que ajuda a prevenir dor nas costas (e o que não ajuda).

E caminhar é uma forma de usar os músculos, ao contrário de ficar muito tempo parada. Esse tema está em O problema não é ficar parada: é ficar parada sem usar o músculo.

E na prática?

O ensaio testou uma caminhada que aumentava aos poucos e era ajustada para cada pessoa, junto com educação. Ele não testou uma caminhada qualquer, sem orientação.

Este texto é uma explicação geral, e não uma prescrição. Como começar, quanto andar e como aumentar são escolhas que dependem de cada pessoa.

O que você leva deste texto

  • Num ensaio com 701 pessoas, caminhada progressiva com educação reduziu a volta da dor lombar (HR 0,72), com certeza moderada.
  • No grupo da caminhada, a dor demorou mais para voltar: 208 contra 112 dias (mediana), segundo o estudo.
  • Numa coorte de 11.194 adultos, mais caminhada medida por aparelho associou-se a menos dor lombar crônica. É associação, não prova de causa.
  • A caminhada do ensaio era progressiva e ajustada para cada pessoa.

Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.

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Perguntas frequentes

Caminhar ajuda a dor a não voltar?

Num ensaio com 701 pessoas, caminhada progressiva com educação reduziu a recorrência (HR 0,72). No meio do grupo (mediana), a dor levou 208 dias para voltar com a caminhada e 112 dias no grupo sem tratamento.

Caminhar mais tem relação com menos dor crônica?

Numa coorte de 11.194 adultos, mais caminhada medida por aparelho associou-se a menos dor lombar crônica em cerca de 4 anos. É associação, não prova de causa.

Fontes

Foto de Matheus Camargo, fisioterapeuta

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F