Matheus Camargo WhatsApp

Por que a dor nas costas volta? O que prevê a recaída

Por Matheus Camargo, fisioterapeuta · · Leitura de 5 min

A crise passou. Você voltou à rotina e quase esqueceu a dor. Aí vem um dia de 6 horas sentada no computador, sem levantar, e as costas reclamam de novo. Ou chega a terceira crise do ano, e a pergunta aparece: por que essa dor sempre volta?

Este texto mostra o que um estudo que acompanhou pessoas depois da crise encontrou. Ele diz quanto a volta é comum e quais sinais ajudaram a prevê-la.

Duas palavras antes

Recorrência é a dor que volta depois de melhorar. Também se fala em recaída.

Preditor é algo que ajuda a prever. Um preditor não é, necessariamente, a causa. Ele é um sinal que aparece mais em quem teve o problema.

O que o estudo fez

Em 2019, pesquisadores publicaram um estudo chamado coorte de início. Coorte é um grupo de pessoas acompanhado ao longo do tempo. "De início" quer dizer que as pessoas foram acompanhadas a partir de um ponto comum: a recuperação de uma crise de dor lombar, a dor na parte baixa das costas.

Depois, os pesquisadores acompanharam essas pessoas por 12 meses para ver quem voltava a ter dor.

A volta é comum

O resultado ficou no título do estudo: a recorrência da dor lombar é comum.

  • 69% das pessoas tiveram nova dor em 12 meses depois de se recuperar;
  • 40% tiveram uma volta da dor com limitação de atividade, ou seja, a dor atrapalhou o que elas faziam no dia a dia.

Em palavras simples: de cada 10 pessoas que melhoraram, cerca de 7 sentiram a dor de novo dentro de um ano. E cerca de 4 tiveram uma volta que atrapalhou a rotina.

Se a sua dor voltou, você não está sozinha. É o caminho de muita gente.

O que ajudou a prever a volta

O estudo também olhou quais sinais apareciam mais em quem teve recaída. Três se destacaram:

  • posturas desconfortáveis frequentes;
  • sentar mais de 5 horas por dia;
  • mais de 2 crises anteriores.

Previsão não é causa

Esses sinais ajudam a prever a volta. Eles não provam que causam a volta.

O livro A coluna sob carga deixa isso claro: é um elo de prognóstico, não de causa. Prognóstico é a previsão de como um quadro vai evoluir.

Um exemplo ajuda. Quem já teve muitas crises tem mais chance de ter outra. Isso não prova que uma crise causa a próxima. O estudo só mostra que elas aparecem juntas.

O mesmo vale para o tempo sentado. Pode ser que sentar muito pese na volta da dor. Pode ser também que outros fatores venham junto. O estudo não separa essas explicações.

A postura pesa mais na volta do que no começo

O livro A coluna sob carga tira uma conclusão interessante desses dados. A exposição postural parece pesar mais na recorrência do que no primeiro episódio.

Exposição postural é o tempo que a pessoa passa em certas posições, como sentada ou curvada.

Para entender: os estudos sobre a primeira crise não mostram uma relação causal clara entre postura e dor. Mas, depois que a pessoa já teve dor, ficar muito tempo sentada e ter posturas desconfortáveis frequentes aparecem como sinais de que a dor pode voltar.

O livro resume, no fim do capítulo sobre prevenção: a exposição sustentada parece pesar na recorrência.

E quem passa o dia sentada no home office?

Sentar mais de 5 horas por dia é comum em quem trabalha em casa, no computador. A relação entre home office e dor nas costas está em Passar o dia sentada no home office dá dor nas costas?.

O que foi testado para evitar a volta

Saber o que prevê a recaída é uma parte. Saber o que ajuda a evitá-la é outra.

O livro A coluna sob carga cita um ensaio em que caminhada progressiva com educação reduziu a recorrência. Esse estudo está explicado em Caminhar ajuda a dor nas costas a não voltar?.

E o que tem e o que não tem prova na prevenção da dor nas costas está em O que ajuda a prevenir dor nas costas (e o que não ajuda).

Na vida real

Pense nas duas cenas do começo:

  • o dia de 6 horas sentada seguido de crise;
  • a terceira crise no ano.

As duas tocam nos sinais que o estudo encontrou: muito tempo sentada e várias crises anteriores. Isso não quer dizer que a próxima crise é certa. Quer dizer que esses sinais merecem atenção, e que vale entender a sua rotina numa avaliação.

O que você leva deste texto

  • A volta da dor lombar é comum: 69% tiveram nova dor em 12 meses depois de melhorar, e 40% com limitação de atividade.
  • Três sinais ajudaram a prever a volta: posturas desconfortáveis frequentes, sentar mais de 5 horas por dia e mais de 2 crises anteriores.
  • Esses sinais ajudam a prever, mas não provam causa.
  • A exposição postural parece pesar mais na volta da dor do que na primeira crise.

Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.

Para conhecer o atendimento, veja a página principal.

Perguntas frequentes

É comum a dor voltar?

Sim. Num estudo, 69% tiveram nova dor em 12 meses após melhorar; 40% com limitação de atividade.

O que prevê a volta?

Posturas desconfortáveis frequentes, sentar mais de 5 horas por dia e mais de 2 crises anteriores. É um sinal de previsão, não prova de causa.

Fontes

Foto de Matheus Camargo, fisioterapeuta

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F