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Dor no pescoço volta? O que se sabe

Por Matheus Camargo, fisioterapeuta · · Leitura de 5 min

É semana de prazo apertado. Você passa o dia no computador, responde mensagem no celular até tarde e dorme pensando no trabalho. No meio da semana, o pescoço está duro e tenso. Não é a primeira vez. E a dúvida volta junto: essa dor no pescoço vai embora de vez?

Este texto mostra o que os estudos dizem sobre como a dor no pescoço costuma evoluir e o que mais pesa nesse caminho.

Duas palavras antes

Cervicalgia é o nome técnico da dor no pescoço. A coluna do pescoço se chama coluna cervical.

Fatores psicossociais são o estresse, as preocupações, o humor e a situação de vida. É a parte "psico" (o que se passa na cabeça) e a parte "social" (o que se passa em volta da pessoa).

A dor no pescoço volta com frequência

Em 2008, um grupo internacional de especialistas, a Força-Tarefa sobre Dor no Pescoço da Década do Osso e da Articulação, revisou os estudos sobre a evolução da dor no pescoço na população geral.

O que eles encontraram:

  • metade a três quartos das pessoas com dor no pescoço voltam a ter dor em 1 a 5 anos.

Em palavras simples: de cada 4 pessoas com dor no pescoço, de 2 a 3 voltam a ter dor nos anos seguintes.

Uma revisão de 2017, publicada no BMJ, acrescentou outro dado:

  • mais de um terço das pessoas mantém sintomas ou recaídas depois de 1 ano.

Ou seja, a dor no pescoço costuma ir e voltar. Para muita gente, ela não é um episódio único.

O que mais pesa: os fatores psicossociais

A força-tarefa de 2008 também olhou o que ajudava a prever a evolução da dor. O resultado: os fatores psicossociais foram os sinais de previsão mais fortes.

Isso não quer dizer que a dor "é emocional" ou que está "na cabeça". A dor é real. Quer dizer que o estresse, as preocupações, o humor e a situação de vida andam junto com o jeito como a dor no pescoço evolui.

A semana de prazo apertado é um bom exemplo. Nela, se juntam o estresse, as horas no computador e o sono curto.

Previsão não é causa

Um sinal de previsão é algo que aparece mais em quem tem uma evolução pior. Ele não prova que causa essa evolução. Mesmo assim, ajuda a entender o quadro como um todo, e não só o pescoço.

E o celular?

Muita gente culpa a cabeça baixa no celular. O livro A coluna sob carga mostra que, ao usar o smartphone, a flexão do pescoço e a atividade dos músculos aumentam. Mas o ângulo da cabeça, sozinho, não se associou à dor no pescoço.

A conclusão do livro: o tempo e o padrão de uso importam mais que o ângulo da cabeça. Essa história está em Pescoço de celular: o ângulo ou o tempo?.

Quando a dor desce para o braço

Às vezes, a dor no pescoço vem junto com dor ou formigamento que descem para o braço. É um quadro diferente, em que a raiz de um nervo pode estar irritada. Ele está explicado em Dor que desce do pescoço para o braço: o que é radiculopatia cervical.

A lombar também volta

A dor na parte baixa das costas também costuma voltar. O que os estudos mostram sobre ela está em Por que a dor nas costas volta? O que prevê a recaída.

O que isso muda no dia a dia

Saber que a dor no pescoço costuma ir e voltar ajuda a não se assustar a cada crise. E saber que os fatores psicossociais pesam muito ajuda a olhar para além do pescoço: a rotina, o estresse, o sono e a situação de vida fazem parte da conversa.

Cada pessoa tem a sua história. Entender a sua é trabalho da avaliação.

O que você leva deste texto

  • A dor no pescoço volta com frequência: metade a três quartos das pessoas voltam a ter dor em 1 a 5 anos.
  • Mais de um terço mantém sintomas ou recaídas depois de 1 ano.
  • Os fatores psicossociais (estresse, preocupações, humor e situação de vida) são os sinais de previsão mais fortes.
  • No uso do celular, o tempo e o padrão de uso parecem importar mais que o ângulo da cabeça.

Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.

Se você está em Porto Alegre e quer entender a sua dor no pescoço, Matheus Camargo Fisioterapeuta atende no bairro Três Figueiras, com avaliação individual. Veja o atendimento para dor no pescoço na página principal.

Perguntas frequentes

A dor no pescoço costuma voltar?

Metade a três quartos das pessoas com dor no pescoço voltam a ter dor em 1 a 5 anos.

O que mais pesa na evolução?

Os fatores psicossociais são os sinais de previsão mais fortes. Mais de um terço mantém sintomas ou recaídas após 1 ano.

Fontes

Foto de Matheus Camargo, fisioterapeuta

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F