Dor no pescoço volta? O que se sabe
É semana de prazo apertado. Você passa o dia no computador, responde mensagem no celular até tarde e dorme pensando no trabalho. No meio da semana, o pescoço está duro e tenso. Não é a primeira vez. E a dúvida volta junto: essa dor no pescoço vai embora de vez?
Este texto mostra o que os estudos dizem sobre como a dor no pescoço costuma evoluir e o que mais pesa nesse caminho.
Duas palavras antes
Cervicalgia é o nome técnico da dor no pescoço. A coluna do pescoço se chama coluna cervical.
Fatores psicossociais são o estresse, as preocupações, o humor e a situação de vida. É a parte "psico" (o que se passa na cabeça) e a parte "social" (o que se passa em volta da pessoa).
A dor no pescoço volta com frequência
Em 2008, um grupo internacional de especialistas, a Força-Tarefa sobre Dor no Pescoço da Década do Osso e da Articulação, revisou os estudos sobre a evolução da dor no pescoço na população geral.
O que eles encontraram:
- metade a três quartos das pessoas com dor no pescoço voltam a ter dor em 1 a 5 anos.
Em palavras simples: de cada 4 pessoas com dor no pescoço, de 2 a 3 voltam a ter dor nos anos seguintes.
Uma revisão de 2017, publicada no BMJ, acrescentou outro dado:
- mais de um terço das pessoas mantém sintomas ou recaídas depois de 1 ano.
Ou seja, a dor no pescoço costuma ir e voltar. Para muita gente, ela não é um episódio único.
O que mais pesa: os fatores psicossociais
A força-tarefa de 2008 também olhou o que ajudava a prever a evolução da dor. O resultado: os fatores psicossociais foram os sinais de previsão mais fortes.
Isso não quer dizer que a dor "é emocional" ou que está "na cabeça". A dor é real. Quer dizer que o estresse, as preocupações, o humor e a situação de vida andam junto com o jeito como a dor no pescoço evolui.
A semana de prazo apertado é um bom exemplo. Nela, se juntam o estresse, as horas no computador e o sono curto.
Previsão não é causa
Um sinal de previsão é algo que aparece mais em quem tem uma evolução pior. Ele não prova que causa essa evolução. Mesmo assim, ajuda a entender o quadro como um todo, e não só o pescoço.
E o celular?
Muita gente culpa a cabeça baixa no celular. O livro A coluna sob carga mostra que, ao usar o smartphone, a flexão do pescoço e a atividade dos músculos aumentam. Mas o ângulo da cabeça, sozinho, não se associou à dor no pescoço.
A conclusão do livro: o tempo e o padrão de uso importam mais que o ângulo da cabeça. Essa história está em Pescoço de celular: o ângulo ou o tempo?.
Quando a dor desce para o braço
Às vezes, a dor no pescoço vem junto com dor ou formigamento que descem para o braço. É um quadro diferente, em que a raiz de um nervo pode estar irritada. Ele está explicado em Dor que desce do pescoço para o braço: o que é radiculopatia cervical.
A lombar também volta
A dor na parte baixa das costas também costuma voltar. O que os estudos mostram sobre ela está em Por que a dor nas costas volta? O que prevê a recaída.
O que isso muda no dia a dia
Saber que a dor no pescoço costuma ir e voltar ajuda a não se assustar a cada crise. E saber que os fatores psicossociais pesam muito ajuda a olhar para além do pescoço: a rotina, o estresse, o sono e a situação de vida fazem parte da conversa.
Cada pessoa tem a sua história. Entender a sua é trabalho da avaliação.
O que você leva deste texto
- A dor no pescoço volta com frequência: metade a três quartos das pessoas voltam a ter dor em 1 a 5 anos.
- Mais de um terço mantém sintomas ou recaídas depois de 1 ano.
- Os fatores psicossociais (estresse, preocupações, humor e situação de vida) são os sinais de previsão mais fortes.
- No uso do celular, o tempo e o padrão de uso parecem importar mais que o ângulo da cabeça.
Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.
Se você está em Porto Alegre e quer entender a sua dor no pescoço, Matheus Camargo Fisioterapeuta atende no bairro Três Figueiras, com avaliação individual. Veja o atendimento para dor no pescoço na página principal.
Perguntas frequentes
A dor no pescoço costuma voltar?
Metade a três quartos das pessoas com dor no pescoço voltam a ter dor em 1 a 5 anos.
O que mais pesa na evolução?
Os fatores psicossociais são os sinais de previsão mais fortes. Mais de um terço mantém sintomas ou recaídas após 1 ano.
Fontes
- Carroll LJ, Hogg-Johnson S, van der Velde G et al. Course and prognostic factors for neck pain in the general population: results of the Bone and Joint Decade 2000-2010 Task Force on Neck Pain and Its Associated Disorders. Spine (Phila Pa 1976). 2008. PMID 18204403; doi:10.1097/BRS.0b013e31816445be.
- Cohen SP, Hooten WM. Advances in the diagnosis and management of neck pain. BMJ. 2017. PMID 28807894; doi:10.1136/bmj.j3221.
- No livro A coluna sob carga: cap. 7.2.2, p. 24.

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F