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Menopausa e dores no corpo: o que os estudos mostram

Por Matheus Camargo, fisioterapeuta · · Leitura de 6 min

Você acorda com as mãos e os joelhos rígidos. Ou percebe uma dor nos ombros e nas costas depois de um dia no computador, que antes não aparecia. E, depois de uma noite de sono picado, o dia seguinte parece ter mais dor. Será que tem a ver com a menopausa?

Os estudos têm algumas respostas. Este texto mostra o que eles encontraram, o que ainda não sabem e o que é assunto para conversar com o médico.

Os termos, em palavras simples

Perimenopausa são os anos de transição antes da última menstruação, quando os hormônios oscilam. Neste texto, também vamos chamar essa fase de transição.

Pós-menopausa é a fase depois da última menstruação.

Estudo de observação é um estudo que acompanha pessoas sem testar tratamento. Ele mostra que duas coisas andam juntas, não que uma causa a outra.

Risco 1,35 vez maior quer dizer que a dor foi 35% mais frequente do que no grupo comparado, as mulheres antes da menopausa.

Dor no corpo é mais comum nessa fase?

Uma revisão com metanálise publicada em 2026 juntou 37 estudos, com um total de 93.021 mulheres. Ela comparou a frequência de dor muscular ou articular em cada fase:

  • antes da menopausa: 40% das mulheres;
  • na transição: 57%;
  • depois da menopausa: 59%.

Na transição, o risco foi 1,35 vez maior que antes da menopausa. Em números absolutos, isso equivale a cerca de 130 mulheres a mais com dor a cada 1.000. Depois da menopausa, o risco foi 1,40 vez maior que antes.

Uma revisão anterior, de 2020, juntou 16 estudos com 5.836 mulheres na transição. Nela, 71% tinham dor musculoesquelética, ou seja, dor nos músculos, nos ossos ou nas articulações. As mulheres na transição tinham mais chance de dor do que as mulheres antes da menopausa. E chance parecida com a das mulheres depois da menopausa.

Qual a força dessas evidências?

As duas revisões reúnem estudos de observação. Elas mostram que a dor muscular e articular é mais comum na transição e depois dela. Mas não provam que a menopausa, sozinha, é a causa.

As duas revisões reúnem só estudos de observação, com resultados muito diferentes entre si. Os autores pedem estudos melhores para confirmar.

Por que isso pode acontecer?

Duas revisões narrativas, de 2023 e de 2025, discutem os mecanismos. Revisão narrativa é um texto que resume estudos sem um método fixo de busca.

Elas descrevem que:

  • a dor nas articulações e nos músculos está entre os sintomas mais comuns da menopausa;
  • as mudanças e a queda dos hormônios sexuais, como o estrogênio e a progesterona, parecem influenciar a tendência à dor nos músculos e nas articulações;
  • as oscilações desses hormônios contribuem para a dor muscular e a rigidez nas articulações;
  • problemas de humor, estresse e sono ruim podem aumentar a dor sentida.

Essas revisões não trazem números de efeito. Elas explicam ideias, mas não medem quanto cada fator pesa.

O sono entra na conversa

O último ponto da lista lembra o exemplo do começo: depois de uma noite de sono picado, o dia parece ter mais dor.

O sono e a dor têm uma relação estudada também fora da menopausa. O texto dormir mal tem a ver com a dor nas costas? mostra o que os estudos encontraram e o que eles ainda não provam.

Por que a dor parece "maior" às vezes

Quando a dor parece mais forte do que o esperado, ou se espalha pelo corpo, uma das explicações estudadas é a sensibilidade do próprio sistema que produz a dor. O texto dor nociplástica explica essa ideia em palavras simples.

Então a minha dor nas costas é da menopausa?

Não dá para saber só pela fase da vida. Os estudos falam de dor muscular e articular em geral, não só da coluna. E dor nas costas é muito comum em todas as idades, por muitos motivos.

A causa de cada dor é vista na avaliação.

Hormônio e remédio são conversa com o médico. Este texto não fala de tratamento hormonal.

O que esses estudos não dizem

Vale deixar claro:

  • eles não dizem que toda mulher na menopausa vai ter dor;
  • eles não dizem que a dor vem só dos hormônios;
  • eles não dizem qual tratamento funciona para essa dor.

O que eles dizem é que a dor muscular e articular é comum nessa fase, e que hormônios, sono, humor e estresse entram na conversa. Saber disso pode tirar um pouco da culpa e da confusão.

E o movimento?

Uma dúvida comum é se vale se mexer mais ou menos nessa fase. Os estudos sobre menopausa citados aqui não testaram exercício. Mas há estudos sobre caminhada e dor nas costas em geral. O texto caminhar ajuda a dor nas costas a não voltar? conta um deles.

O que você leva deste texto

  • Numa revisão com 93.021 mulheres, dor muscular ou articular apareceu em 40% antes da menopausa, 57% na transição e 59% depois.
  • São estudos de observação, com certeza baixa: mostram que as coisas andam juntas, não que uma causa a outra.
  • Revisões descrevem que as mudanças do estrogênio e da progesterona influenciam a dor, e que estresse, humor e sono ruim podem aumentar a dor sentida.
  • Os estudos falam de dor muscular e articular em geral, não só da coluna.
  • Hormônio e remédio são conversa com o médico.

Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.

Outros textos e informações sobre o atendimento estão na página inicial.

Perguntas frequentes

Dor no corpo fica mais comum na menopausa?

Numa revisão com 93.021 mulheres, dor muscular ou articular apareceu em 40% antes da menopausa, 57% na transição e 59% depois. Na transição, o risco foi 1,35 vez maior que antes. São estudos de observação.

Por que isso acontece?

Revisões descrevem que a oscilação e a queda do estrogênio e da progesterona influenciam a dor nos músculos e nas articulações, e que estresse, humor e sono ruim podem aumentar a dor sentida. Essas revisões não trazem números de efeito.

Então a minha dor nas costas é da menopausa?

Os estudos falam de dor muscular e articular em geral, não só da coluna. A causa de cada dor é vista na avaliação. Hormônio e remédio são conversa com o médico.

Fontes

Foto de Matheus Camargo, fisioterapeuta

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F