Pilates para a coluna: mais capacidade e variedade, não 'correção'
Você vê o aparelho de Pilates pela primeira vez: parece uma cama com molas. Uma amiga faz aula em grupo, outra faz individual. E você pensa se isso ajudaria a sua dor nas costas, ou se é só moda.
Este texto mostra o que os estudos dizem sobre Pilates e dor lombar. E explica para que o Pilates serve, segundo o livro A coluna sob carga. É conhecimento geral, e não uma indicação para uma pessoa.
Para que serve o Pilates, segundo o livro
O livro A coluna sob carga tem uma ideia central. A postura muda a carga, e a carga muda o tecido. Mas não há prova de que corrigir a forma visível da postura previna dor. Esse raciocínio está em Postura não é uma foto: o que é carga, capacidade e por que a coluna se adapta.
Por essa lógica, o exercício, incluindo o Pilates, é um instrumento para duas coisas:
- aumentar a capacidade, que é a carga que o tecido tolera;
- variar a carga, ou seja, mudar as posições e os movimentos.
E não para "corrigir a postura". É uma diferença importante. O objetivo não é deixar o corpo numa forma "certa", e sim deixá-lo mais capaz e com mais variedade de movimento.
O que mostram as revisões
Comparado a quase nenhuma intervenção
Uma revisão Cochrane de 2015 juntou 10 ensaios clínicos, com 510 pessoas com dor lombar. Cochrane é uma organização que faz revisões de estudos com método rigoroso. Ensaio clínico é um estudo que testa uma intervenção comparando grupos.
Comparado com uma intervenção mínima, ou seja, quase nenhum tratamento, o Pilates:
- reduziu a dor no curto e no médio prazo;
- melhorou a incapacidade no curto e no médio prazo. Incapacidade é o quanto a dor atrapalha a vida.
Mas, comparado com outros exercícios, o Pilates não mostrou diferença clara na incapacidade. A certeza foi de baixa a moderada.
Comparado com vários exercícios ao mesmo tempo
Uma revisão de 2022 fez uma metanálise em rede. É um estudo que compara vários tipos de exercício ao mesmo tempo. Ela juntou 118 ensaios, com 9.710 adultos com dor lombar crônica, que é a dor que dura 3 meses ou mais.
O que ela encontrou:
- comparados ao grupo controle, quase todos os tipos melhoraram a dor e a incapacidade. As exceções foram o alongamento, para a dor, e o método McKenzie, para a incapacidade;
- o Pilates teve a maior chance calculada de ser o melhor para reduzir a dor (93%) e a incapacidade (98%).
Essa "chance de ser o melhor" é uma conta feita a partir dos ensaios. Ela não quer dizer que o Pilates funciona em 93% das pessoas. A revisão não deu nota de certeza a esse ranking.
O que diz a revisão das revisões
Uma revisão de 2025 juntou várias revisões sobre exercício e dor lombar. Segundo o livro, as revisões em rede favorecem o controle motor e o Pilates sobre outras formas de exercício para reduzir a dor. Controle motor é o treino de como o cérebro organiza os músculos. A certeza é baixa.
A mesma revisão mostra que o benefício do exercício em geral para a dor não voltar é pequeno, com certeza de baixa a moderada.
E, na dor lombar crônica, uma revisão Cochrane de 2021 mostrou que o exercício reduz a dor em 15,2 pontos numa escala de 0 a 100. A comparação foi com nenhum tratamento, cuidado usual ou placebo. A certeza é moderada.
Pilates mais puxado é melhor?
Um ensaio de 2025 com 168 pessoas com dor lombar crônica comparou Pilates de alta e de baixa intensidade.
O resultado:
- os dois tiveram efeito parecido na dor e na incapacidade ao final da intervenção;
- aos 6 e aos 12 meses, as diferenças na dor continuaram pequenas, mas com incerteza grande;
- o Pilates de baixa intensidade teve menos efeitos adversos. Efeito adverso é algo indesejado que acontece durante o tratamento, como dor maior no dia seguinte.
É um ensaio só, com 168 pessoas. Em palavras simples: neste ensaio, fazer mais forte não trouxe mais benefício, e fazer mais leve trouxe menos efeitos indesejados.
E a aula em grupo ou individual?
Os estudos citados aqui não respondem se a aula em grupo ou a individual é melhor. O que o livro destaca é outra coisa: a escolha do método, da dose e da progressão é clínica e individual, e cabe ao fisioterapeuta.
Pilates clínico é o nome usado para exercícios no Pilates escolhidos depois da avaliação.
O Pilates entre outras opções
O Pilates é uma das formas de exercício estudadas. Para prevenir uma crise de dor lombar, o que tem mais prova é o exercício combinado com educação. Esse assunto está em O que ajuda a prevenir dor nas costas (e o que não ajuda).
E a ideia de variar a carga também aparece nos estudos sobre o disco. O que eles mostram está em Que tipo de movimento o disco parece gostar.
O que você leva deste texto
- Revisões em rede favorecem o controle motor e o Pilates sobre outros exercícios para reduzir a dor.
- Comparado a outros exercícios, o Pilates não mostrou diferença clara na incapacidade.
- Pilates de alta e de baixa intensidade tiveram efeito parecido. O de baixa intensidade teve menos efeitos adversos.
- Segundo o livro, o Pilates serve para aumentar a capacidade e variar a carga, e não para "corrigir a postura".
- A escolha do método e da dose é clínica e individual.
Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.
Em Porto Alegre, Matheus Camargo Fisioterapeuta atende no bairro Três Figueiras, com Pilates clínico em sessões individuais, escolhidas depois da avaliação. Veja o card Pilates clínico na página principal.
Perguntas frequentes
O Pilates ajuda a dor lombar?
Comparado a quase nenhum tratamento, reduziu a dor e a incapacidade (certeza de baixa a moderada). Revisões em rede favorecem o controle motor e o Pilates sobre outros exercícios para reduzir a dor.
Para que serve o Pilates, segundo o livro?
Para aumentar a capacidade e variar a carga, e não para 'corrigir a postura'. A escolha do método e da dose é clínica e individual.
Pilates mais puxado funciona melhor?
Num estudo com 168 pessoas, Pilates de alta e de baixa intensidade tiveram efeito parecido na dor e na incapacidade. O de baixa intensidade teve menos efeitos adversos.
Fontes
- Yamato et al. Pilates for low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2015. PMID 26133923; doi:10.1002/14651858.CD010265.pub2.
- Fernández-Rodríguez et al. Best Exercise Options for Reducing Pain and Disability in Adults With Chronic Low Back Pain: Pilates, Strength, Core-Based, and Mind-Body. A Network Meta-analysis. J Orthop Sports Phys Ther. 2022. PMID 35722759; doi:10.2519/jospt.2022.10671.
- Coelho et al. High-intensity and low-intensity Pilates have similar effects on pain and disability in people with chronic non-specific low back pain: a randomised trial. J Physiother. 2025. PMID 40122758; doi:10.1016/j.jphys.2025.03.002.
- Comachio J, Beckenkamp PR, Ho EK et al. Benefits and harms of exercise therapy and physical activity for low back pain: An umbrella review. J Sport Health Sci. 2025. PMID 40180212; doi:10.1016/j.jshs.2025.101038.
- Hayden JA, Ellis J, Ogilvie R et al. Exercise therapy for chronic low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2021. PMID 34580864; doi:10.1002/14651858.CD009790.pub2.
- No livro A coluna sob carga: cap. 9.2, p. 29.

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F