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Pilates para a coluna: mais capacidade e variedade, não 'correção'

Por Matheus Camargo, fisioterapeuta · · Leitura de 7 min

Você vê o aparelho de Pilates pela primeira vez: parece uma cama com molas. Uma amiga faz aula em grupo, outra faz individual. E você pensa se isso ajudaria a sua dor nas costas, ou se é só moda.

Este texto mostra o que os estudos dizem sobre Pilates e dor lombar. E explica para que o Pilates serve, segundo o livro A coluna sob carga. É conhecimento geral, e não uma indicação para uma pessoa.

Para que serve o Pilates, segundo o livro

O livro A coluna sob carga tem uma ideia central. A postura muda a carga, e a carga muda o tecido. Mas não há prova de que corrigir a forma visível da postura previna dor. Esse raciocínio está em Postura não é uma foto: o que é carga, capacidade e por que a coluna se adapta.

Por essa lógica, o exercício, incluindo o Pilates, é um instrumento para duas coisas:

  • aumentar a capacidade, que é a carga que o tecido tolera;
  • variar a carga, ou seja, mudar as posições e os movimentos.

E não para "corrigir a postura". É uma diferença importante. O objetivo não é deixar o corpo numa forma "certa", e sim deixá-lo mais capaz e com mais variedade de movimento.

O que mostram as revisões

Comparado a quase nenhuma intervenção

Uma revisão Cochrane de 2015 juntou 10 ensaios clínicos, com 510 pessoas com dor lombar. Cochrane é uma organização que faz revisões de estudos com método rigoroso. Ensaio clínico é um estudo que testa uma intervenção comparando grupos.

Comparado com uma intervenção mínima, ou seja, quase nenhum tratamento, o Pilates:

  • reduziu a dor no curto e no médio prazo;
  • melhorou a incapacidade no curto e no médio prazo. Incapacidade é o quanto a dor atrapalha a vida.

Mas, comparado com outros exercícios, o Pilates não mostrou diferença clara na incapacidade. A certeza foi de baixa a moderada.

Comparado com vários exercícios ao mesmo tempo

Uma revisão de 2022 fez uma metanálise em rede. É um estudo que compara vários tipos de exercício ao mesmo tempo. Ela juntou 118 ensaios, com 9.710 adultos com dor lombar crônica, que é a dor que dura 3 meses ou mais.

O que ela encontrou:

  • comparados ao grupo controle, quase todos os tipos melhoraram a dor e a incapacidade. As exceções foram o alongamento, para a dor, e o método McKenzie, para a incapacidade;
  • o Pilates teve a maior chance calculada de ser o melhor para reduzir a dor (93%) e a incapacidade (98%).

Essa "chance de ser o melhor" é uma conta feita a partir dos ensaios. Ela não quer dizer que o Pilates funciona em 93% das pessoas. A revisão não deu nota de certeza a esse ranking.

O que diz a revisão das revisões

Uma revisão de 2025 juntou várias revisões sobre exercício e dor lombar. Segundo o livro, as revisões em rede favorecem o controle motor e o Pilates sobre outras formas de exercício para reduzir a dor. Controle motor é o treino de como o cérebro organiza os músculos. A certeza é baixa.

A mesma revisão mostra que o benefício do exercício em geral para a dor não voltar é pequeno, com certeza de baixa a moderada.

E, na dor lombar crônica, uma revisão Cochrane de 2021 mostrou que o exercício reduz a dor em 15,2 pontos numa escala de 0 a 100. A comparação foi com nenhum tratamento, cuidado usual ou placebo. A certeza é moderada.

Pilates mais puxado é melhor?

Um ensaio de 2025 com 168 pessoas com dor lombar crônica comparou Pilates de alta e de baixa intensidade.

O resultado:

  • os dois tiveram efeito parecido na dor e na incapacidade ao final da intervenção;
  • aos 6 e aos 12 meses, as diferenças na dor continuaram pequenas, mas com incerteza grande;
  • o Pilates de baixa intensidade teve menos efeitos adversos. Efeito adverso é algo indesejado que acontece durante o tratamento, como dor maior no dia seguinte.

É um ensaio só, com 168 pessoas. Em palavras simples: neste ensaio, fazer mais forte não trouxe mais benefício, e fazer mais leve trouxe menos efeitos indesejados.

E a aula em grupo ou individual?

Os estudos citados aqui não respondem se a aula em grupo ou a individual é melhor. O que o livro destaca é outra coisa: a escolha do método, da dose e da progressão é clínica e individual, e cabe ao fisioterapeuta.

Pilates clínico é o nome usado para exercícios no Pilates escolhidos depois da avaliação.

O Pilates entre outras opções

O Pilates é uma das formas de exercício estudadas. Para prevenir uma crise de dor lombar, o que tem mais prova é o exercício combinado com educação. Esse assunto está em O que ajuda a prevenir dor nas costas (e o que não ajuda).

E a ideia de variar a carga também aparece nos estudos sobre o disco. O que eles mostram está em Que tipo de movimento o disco parece gostar.

O que você leva deste texto

  • Revisões em rede favorecem o controle motor e o Pilates sobre outros exercícios para reduzir a dor.
  • Comparado a outros exercícios, o Pilates não mostrou diferença clara na incapacidade.
  • Pilates de alta e de baixa intensidade tiveram efeito parecido. O de baixa intensidade teve menos efeitos adversos.
  • Segundo o livro, o Pilates serve para aumentar a capacidade e variar a carga, e não para "corrigir a postura".
  • A escolha do método e da dose é clínica e individual.

Este texto é para informar. Não substitui uma consulta.

Em Porto Alegre, Matheus Camargo Fisioterapeuta atende no bairro Três Figueiras, com Pilates clínico em sessões individuais, escolhidas depois da avaliação. Veja o card Pilates clínico na página principal.

Perguntas frequentes

O Pilates ajuda a dor lombar?

Comparado a quase nenhum tratamento, reduziu a dor e a incapacidade (certeza de baixa a moderada). Revisões em rede favorecem o controle motor e o Pilates sobre outros exercícios para reduzir a dor.

Para que serve o Pilates, segundo o livro?

Para aumentar a capacidade e variar a carga, e não para 'corrigir a postura'. A escolha do método e da dose é clínica e individual.

Pilates mais puxado funciona melhor?

Num estudo com 168 pessoas, Pilates de alta e de baixa intensidade tiveram efeito parecido na dor e na incapacidade. O de baixa intensidade teve menos efeitos adversos.

Fontes

Foto de Matheus Camargo, fisioterapeuta

Matheus Camargo
Fisioterapeuta · CREFITO-5 246787-F